Museu de Cordofones

Assim foi Domingos Machado crescendo num ambiente de trabalho. A pouco e pouco começou na notar que a obra que faziam não era a que desejava continuar a executar. Pretendia uma obra mais cuidada , mais perfeita e esmerada, executada com muito amor e carinho. Mas o sonho só viria a ser concretizado anos mais tarde.
Após o casamento, Domingos Machado, vocacionado e apaixonado por esta arte, resolve estabelecer-se por conta própria, concretizando o seu sonho. Para aperfeiçoar os seus conhecimentos, o artesão recebeu lições na Cidade Invicta, com um mestre da Casa Duarte, um respeitável homem de 80 anos. Passado algum tempo, a obra de Domingos Machado era aceite em toda a parte onde chegasse. Através do contacto com o Etnólogo, o Doutor Ernesto Veiga de Oliveira, o artesão pode alargar os seus conhecimentos, sobre a grande variedade de instrumentos musicais que existe no nosso país e além fronteiras, pois este dedicava-se à recolha de instrumentos para o Museu Etnológico de Lisboa e entregava a Domingos Machado instrumentos em mau estado, avariados e antigos para restauro e executar outros novos. Dessa forma foi conhecendo "o mundo dos instrumentos".
Foi o primeiro artesão, na zona Norte, a executar violas campaniças, beiroas, toeiras e outros instrumentos com nomes curiosos. Trabalha para diversos coleccionadores nacionais e internacionais, para músicos profissionais como Júlio Pereira, Janita Salomé , Ana Faria, José Mário Bronco, Pedro Barroso, entre outros. Vários grupos de musica popular procuram-no, como, por exemplo : Cantares do Minho, Maio Moço, Terra Brava (Santarém), Erva Doce (Loulé), etc. Tunas académicas, salientando as de Braga, Aveiro, Vila Nova de Famalicão, Viana do Castelo, Vila Real e Faro.
Tem também inúmeras encomendas para orquestras típicas, nomeadamente, "O Cancioneiro de Águeda", (escalabitana), de Santarém, a de Águeda, de Alcanena, de Rio Maior, Castelo Branco (Albicastrense), de Mira D'Aire e de Vila Nova de Ourém.
São muitíssimos os grupos de folclore, como os da região de Braga, Famalicão, Guimarães e Viana do Castelo, que também usam instrumentos por ele fabricados. Assinou ainda o seu selo de garantia em instrumentos para grupos da Dinamarca, Espanha, Holanda e outros países. George Harrison, um dos ex-Beatles, tem uma viola feita pelo Mestre Machado. Cedeu a Oliver Serrano, primeiro produtor dos Beatles, alguns instrumentos da sua colecção (em 20-10-1990). Como agradecimento , o seu nome sai em dois CDs. O primeiro em 1993 e o segundo em 1994. Intitula-se «Vida para Vida» e com a seguinte dedicatória: "Very special thanks to Domingos Martins Machado".
O cognome de Domingos Machado é «Violeiro», e sente muito orgulho neste epíteto. Hoje, volvido meio século de trabalho, Domingos Machado é um Mestre reconhecido na arte de fabricar instrumentos de corda populares. Quando fala dos instrumentos que fabrica transparece todo o carinho e amor que sente por esta arte.

DOMINGOS MACHADO

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O artesão Domingos Machado nasceu em Aveleda, em 7 de Abril de 1936. Era o terceiro filho de dez irmãos (oito raparigas e dois rapazes). Fez a instrução primária na Escola da Torre em Aveleda. Viveu sempre com os pais até ao casamento, excepto durante o serviço militar.
Aprendeu na oficina de seu pai (Domingos Manuel Machado) a arte de fabricar instrumentos. Na época do seu pai o forte dos instrumentos fabricados eram cavaquinhos e as violas braguesas. A obra efectuada era vendida nas feiras. As guitarras e os bandolins era raro fazerem-se , mas as casas comerciais preferiam estes instrumentos. Naquela altura, havia muita concorrência, os Machado tinham por isso que fazer mais obra para a vender a um preço mais acessível. Um cavaquinho custava cerca de dezoito escudos.